A infecção pelo HIV é uma doença crônica controlável, desde que o tratamento seja iniciado precocemente e seguido corretamente. A Terapia Antirretroviral (TARV) impede a replicação do vírus, melhora a resposta imunológica e reduz drasticamente a transmissão.
Neste artigo, exploramos quando iniciar o tratamento, quais medicamentos são recomendados, alternativas ao esquema preferencial, situações que podem atrasar o início da TARV e onde encontrar os antirretrovirais, com base nas diretrizes nacionais e nas evidências científicas mais recentes. Continue a leitura!
Quando iniciar o tratamento para o HIV?
📌 Todas as pessoas diagnosticadas com HIV devem iniciar a TARV o mais rápido possível, independentemente da carga viral ou da contagem de CD4.
Essa recomendação baseia-se em grandes estudos clínicos, como o START Trial (2015), que demonstrou que o início precoce da TARV reduz em até 53% o risco de eventos graves, como doenças cardiovasculares e infecções oportunistas.
📌 Benefícios do início precoce da TARV:
✔ Redução da morbidade e mortalidade associadas ao HIV;
✔ Menor risco de desenvolvimento de infecções oportunistas (como tuberculose e meningite criptocócica);
✔ Recuperação mais rápida do sistema imunológico (CD4+);
✔ Redução da transmissão do HIV (Indetectável = Intransmissível – I=I).
O Ministério da Saúde recomenda que a TARV seja iniciada no mesmo dia do diagnóstico ou em até 7 dias, sempre que possível.
Situações que podem atrasar o início da TARV
Embora a recomendação seja iniciar o tratamento rapidamente, algumas condições exigem cautela antes de iniciar a TARV:
🔸 Infecções oportunistas graves: Pacientes com meningite criptocócica ou tuberculose meníngea devem tratar a infecção antes, para evitar a Síndrome Inflamatória da Reconstituição Imune (SIRI). A TARV pode ser iniciada após 4 a 6 semanas nesses casos.
🔸 Síndrome Inflamatória da Reconstituição Imune (SIRI): Pacientes com inflamação intensa devido à recuperação do sistema imunológico podem precisar adiar a TARV.
🔸 Pacientes com tuberculose ativa: Exigem ajustes na TARV devido às interações da rifampicina com alguns ARVs. Iniciar a TARV simultaneamente ao Esquema Básico de tuberculose não é recomendado.
🔸 Pacientes psiquiátricos descompensados: Efavirenz, por exemplo, pode agravar transtornos psiquiátricos. O paciente deve ser estabilizado antes de iniciar a TARV.
🔸 Disfunção renal avançada: O uso de Tenofovir pode ser contraindicado, sendo necessária a substituição por Abacavir (desde que HLA-B*5701 negativo).
🔸 Hepatites virais ativas: O esquema deve considerar a coinfecção com hepatite B ou C.
📌 Embora algumas condições possam exigir ajustes, o tratamento nunca deve ser adiado desnecessariamente.
Como iniciar o tratamento do HIV?
A TARV é baseada em três antirretrovirais de diferentes classes, para garantir eficácia máxima, supressão viral sustentada e menor risco de resistência.
🔹 Esquema preferencial no Brasil
✅ Dolutegravir (50 mg/dia) + Tenofovir + Lamivudina (dose única diária).
📌 Por que essa combinação?
✔ Alta potência antiviral e rápida supressão da carga viral;
✔ Baixo risco de efeitos adversos;
✔ Menor potencial de resistência (maior barreira genética), mesmo em pacientes com adesão irregular.
📌 Esquemas alternativos ao esquema preferencial
Nem todos os pacientes podem utilizar o esquema padrão, exigindo adaptações:
🔸 Substituição do Dolutegravir:
✔ Darunavir/Ritonavir ou Efavirenz – Indicado para pacientes que não toleram Dolutegravir ou com contraindicações.
🔸 Substituição do Tenofovir:
✔ Abacavir (600 mg/dia) ou Zidovudina + Lamivudina (300 mg/dia) – Para pacientes com disfunção renal (desde que HLA-B*5701 negativo).
🔸 Pacientes com tuberculose ativa:
✔ Dobrar a dose do Dolutegravir (50 mg 12/12h) devido à interação com rifampicina.
🔸 Pacientes com histórico de resistência viral ou falha virológica:
✔ Darunavir + Ritonavir (800 mg + 100 mg/dia) pode ser uma alternativa eficaz.
Monitoramento e Adesão à TARV
Após iniciar a TARV, o paciente deve ser acompanhado para garantir a eficácia do tratamento e minimizar efeitos adversos.
📌 Carga viral (HIV-RNA): Deve ser indetectável (<50 cópias/mL) em até 6 meses;
📌 CD4+: Monitorado periodicamente para avaliar a resposta imunológica;
📌 Função renal e hepática: Importante para evitar toxicidade dos ARVs;
📌 Testes para coinfecções (tuberculose, sífilis, hepatites virais);
📌 Perfil lipídico e glicêmico: Alguns ARVs podem alterar o metabolismo.
Os principais efeitos adversos dos antirretrovirais estão descritos na tabela abaixo:
Indetectável = Intransmissível (I=I): A Revolução no Tratamento
Estudos demonstraram que manter a carga viral indetectável por pelo menos 6 meses impede a transmissão do HIV por via sexual.
📌 Evidências científicas:
✔ HPTN 052 (2011): Redução de 96% na transmissão em casais sorodiscordantes.
✔ PARTNER 1 e 2 (2016 e 2019): Nenhum caso de transmissão com carga viral indetectável.
✔ Opposites Attract (2017): Confirmação do conceito I=I em HSH.
📌 Carga viral indetectável significa que a quantidade de HIV no sangue está abaixo de 40 a 50 cópias/mL, dependendo do teste molecular utilizado, tornando o vírus incapaz de ser transmitido por via sexual. Em poucos meses de uso da TARV é possível atingir essa meta!
Onde encontrar os antirretrovirais?
No Brasil, a TARV é gratuita e distribuída pelo SUS. Os medicamentos podem ser encontrados nos seguintes locais:
📍 Unidades de Dispensação de Medicamentos (UDM): Localizadas em hospitais públicos e centros de referência em HIV/AIDS.
📍 Serviços de Assistência Especializada (SAE): Oferecem consulta médica, exames e entrega dos ARVs.
📍 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA): Além dos testes rápidos de HIV, fornecem suporte para início da TARV.
📌 Como retirar os medicamentos?
✔ O paciente precisa estar cadastrado no sistema do SUS e realizar acompanhamento regular.
✔ A dispensação é feita mensalmente e exige receita médica atualizada.
📌 Dica: Em caso de falta de medicação em uma unidade, o paciente pode buscar outra unidade do SUS ou acionar a Ouvidoria do Ministério da Saúde.
Conclusão
A terapia antirretroviral deve ser iniciada imediatamente após o diagnóstico do HIV, quando possível, trazendo benefícios para a saúde do paciente e para o controle da epidemia.
📌 Resumo dos principais pontos:
✔ O esquema preferencial no Brasil é baseado em Dolutegravir + Tenofovir + Lamivudina.
✔ Algumas condições clínicas podem exigir ajustes antes de iniciar a TARV.
✔ Existem esquemas alternativos para pacientes com contraindicações ou resistência viral.
✔ A TARV é distribuída gratuitamente pelo SUS em unidades especializadas.
A adesão correta ao tratamento permite que a pessoa vivendo com HIV mantenha carga viral indetectável, não transmita o vírus e tenha uma expectativa de vida semelhante à da população geral.
Se você ou alguém que conhece vive com HIV, busque tratamento imediato. A ciência está ao nosso lado, e o SUS oferece suporte gratuito e de qualidade!
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Fontes
1. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos – Módulo 1: Tratamento. Brasília: Ministério da Saúde, 2024.
2. START Study Group. Initiation of antiretroviral therapy in early asymptomatic HIV infection. NEJM, 2015.
3. Rodger AJ, et al. Sexual Transmission of HIV and Viral Suppression. JAMA, 2019.
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