Pneumonia: Sintomas, Causas e Tratamento Completo
Você sabia que a pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma das doenças respiratórias mais comuns e graves no Brasil? Entender os sinais, o diagnóstico e o tratamento correto pode salvar vidas. Aqui, explicamos tudo o que você precisa saber sobre essa infecção, de forma simples e completa.
O que é a Pneumonia?
A pneumonia é uma infecção que afeta os pulmões, causando inflamação nos alvéolos, estruturas responsáveis pela troca de oxigênio. Essa doença pode ser causada por bactérias, vírus, fungos ou até mesmo pela aspiração de alimentos ou líquidos. Ela é considerada comunitária quando ocorre fora do ambiente hospitalar ou dentro de 48h de internação.
Por que ela é grave?
- A pneumonia é a terceira causa de morte no Brasil.
- Afeta especialmente idosos, crianças pequenas e pessoas com comorbidades.
Principais agentes causadores:
- Streptococcus pneumoniae (mais comum).
- Haemophilus influenzae.
- Vírus respiratórios, como influenza e SARS-CoV-2.
Quais São os Sintomas da Pneumonia?
Os sintomas variam de acordo com o agente causador e a gravidade, mas os mais comuns incluem:
- Febre alta e calafrios.
- Tosse produtiva (expectoração purulenta).
- Falta de ar ou dificuldade para respirar.
- Dor no peito, especialmente ao respirar fundo.
- Cansaço extremo.
Nos casos graves, podem ocorrer confusão mental, especialmente em idosos.
Diferenças Entre Pneumonia Típica e Atípica
Pneumonia Típica:
- Causas: Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrahlis.
- Características Clínicas: Início súbito, febre alta, calafrios, tosse produtiva com expectoração purulenta.
- Exame Físico: Estertores crepitantes, sinais de consolidação.
- Achados Radiológicos: Consolidação lobar com broncograma aéreo.
Pneumonia Atípica:
- Causas: Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia pneumoniae, Legionella pneumophila.
- Características Clínicas: Início gradual, febre baixa, tosse seca, cansaço persistente. Há pródromos catarrais.
- Exame Físico: Ausculta pulmonar normal ou com poucos estertores/sibilos.
- Achados Radiológicos: Infiltrado intersticial difuso ou perihilar.
Principais Comorbidades e Situações de Risco
A pneumonia é especialmente grave em pacientes que apresentam as seguintes comorbidades:
- Diabetes mellitus: A glicemia elevada prejudica a resposta imune.
- Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC): Reduz a capacidade pulmonar, facilitando infecções.
- Insuficiência cardíaca congestiva: Diminui a perfusão pulmonar, agravando a inflamação.
- Doença renal crônica (DRC): Compromete a excreção de medicamentos e a imunidade.
- Imunossupressão: Inclui pacientes com HIV/AIDS, uso de corticosteróides ou quimioterapia.
Fatores de risco adicionais:
- Tabagismo e alcoolismo.
- Idosos com fragilidade extrema.
- Uso recente de antibióticos (últimos 90 dias), aumentando o risco de resistência bacteriana .
Quando considerar terapia antimicrobiana dupla (com duas classes de drogas)?
- Pacientes com múltiplas comorbidades.
- Suspeita de infecção por Legionella pneumophila.
- Infecção grave que requer hospitalização.
- Epidemiologia local com alta prevalência de bactérias resistentes.
Como é Feito o Diagnóstico?
O diagnóstico da pneumonia é essencial para orientar o tratamento e prevenir complicações. Ele é baseado em uma combinação de fatores clínicos, laboratoriais e de imagem.
Avaliação Clínica
- Histórico médico: Investigação de sintomas como febre, tosse produtiva, falta de ar e dor torácica.
- Exame físico: Estertores crepitantes, diminuição do murmúrio vesicular e sinais de consolidação pulmonar são indicativos de pneumonia típica. Na pneumonia atípica, o exame físico pode ser menos evidente.
Exames de Imagem
Radiografia de tórax: É o padrão-ouro inicial para confirmar o diagnóstico. Mostra padrões como:
- Consolidação lobar, típica de pneumonia bacteriana.
- Infiltrado intersticial, mais comum em pneumonias atípicas.
- Presença de derrame pleural, indicando gravidade.
Exames Laboratoriais
- Hemograma completo: Leucocitose com desvio à esquerda sugere infecção bacteriana.
- PCR (Proteína C-Reativa) e Procalcitonina: Auxiliam na diferenciação entre infecção bacteriana e viral e monitoram a resposta ao tratamento.
- Ureia: vamos abordar adiante, mas ela ajuda a definir sobre internamento ou não.
Indicações para Diagnóstico Etiológico
Embora nem todos os casos exijam a identificação do agente causal, há situações em que isso é imprescindível:
- Pacientes hospitalizados: pacientes em estado grave podem necessitar de diagnóstico preciso para guiar o tratamento.
- Derrame pleural significativo: Aspiração do líquido pleural para cultura e análise.
- Falha terapêutica: Quando o paciente não melhora com o tratamento empírico inicial, para excluir bactérias multidrogarresistentes ou diagnóstico diferenciais (como a Tuberculose, por exemplo).
- História epidemiológica: Presença de fatores como viagens recentes ou surtos locais de patógenos específicos (ex.: Legionella).
- Suspeita de agentes atípicos ou resistentes: Quando há exposição a ambientes de alto risco (hotéis, creches) ou uso prévio de antibióticos.
Métodos Diagnósticos Adicionais
- Cultura de escarro: Útil em pacientes internados ou com pneumonia grave.
- Hemoculturas: Indicadas em casos graves, especialmente para identificar bacteremia. A positivação é de cerca de 20% dos casos.
- Antígeno urinário: Detecta Legionella pneumophila ou Streptococcus pneumoniae.
- Painel viral para vírus respiratórios: Essenciais durante surtos de influenza ou COVID-19.
O diagnóstico etiológico direciona o tratamento e ajuda a prevenir o uso desnecessário de antibióticos. Portanto, em casos graves ou complexos, sua realização é altamente recomendada.
O Que é o CURB-65 e Como Ele Ajuda no Diagnóstico?
O CURB-65 é um escore que auxilia na avaliação da gravidade da pneumonia e na decisão sobre o local de tratamento (em casa ou hospital).
Critérios do CURB-65:
- Confusão mental.
- Ureia sérica > 50 mg/dL.
- Respiração ≥ 30 ciclos por minuto.
- Blood pressure (pressão arterial): PAS < 90 mmHg ou PAD < 60 mmHg.
- Idade ≥ 65 anos.
Pontuação e conduta:
- 0-1 ponto: Tratamento ambulatorial. Mortalidade: 1,5%.
- 2 pontos: Considerar internação. Mortalidade: 9,2%.
Exemplos de situações para considerar internação:
- Paciente com sinais de instabilidade hemodinâmica.
- Derrame Pleural Parapneumônico.
- Alteração no estado mental (confusão ou letargia).
- Hipóxia grave (SpO₂ < 90% em ar ambiente).
- Descompensação de comorbidades.
- ≥ 3 pontos: Internação imediata, com avaliação para UTI se 4 ou 5 pontos. Mortalidade: 22%.
Como Tratar a Pneumonia?
O tratamento da pneumonia depende do agente causador, da gravidade da infecção e das condições do paciente.
Casos Leves (Tratamento Ambulatorial)
- Sem comorbidades: Amoxicilina 1g a cada 8 horas por 5-7 dias OU Amoxicilina + Clavulanato 500 + 125mg a cada 8 horas ou 875 + 125mg a cada 12 horas por 5-7 dias. Em caso de alergias as penicilinas, utilizar um macrolídeo, como Azitromicina (500mg/dia) por 5 dias, ou Axetilcefuroxima (250mg a cada 12 horas) por 5-7 dias.
- Com comorbidades ou uso prévio de antibióticos/internamento recente (<30 dias): Combinação de amoxicilina com clavulanato (ou Axetilcefuroxima) por 5-7 dias e um macrolídeo, como azitromicina (500 mg/dia por 5 dias).
Casos Moderados a Graves (Internação)
- Enfermaria: Ceftriaxona (1g a cada 12 horas) + azitromicina (opcional).
- UTI: Ceftriaxona + Azitromicina OU levofloxacino ou moxifloxacino.
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Fontes
- Diretrizes Brasileiras para Pneumonia Adquirida na Comunidade em Adultos Imunocompetentes – 2018. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Disponível em: SBPT – Pneumonia Diretrizes 2018.
- Murray & Nadel’s Textbook of Respiratory Medicine. 6th Edition. Elsevier, 2016.
- Mandell, Douglas, and Bennett’s Principles and Practice of Infectious Diseases. 9th Edition. Elsevier, 2020.
- BTS Guidelines for the Management of Community Acquired Pneumonia in Adults – 2020. British Thoracic Society. Disponível em: British Thoracic Society – CAP Guidelines.
- Guidelines on the Management of Community-Acquired Pneumonia. Infectious Diseases Society of America (IDSA) e American Thoracic Society (ATS). Atualização 2019. Disponível em: IDSA – Pneumonia Guidelines.
- Restrepo MI, Faverio P, Anzueto A. Long-term prognosis in community-acquired pneumonia. Curr Opin Infect Dis. 2013.
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