O herpes genital é uma infecção sexualmente transmissível (IST) comum, mas muitas vezes incompreendida. Causada pelo vírus herpes simplex (HSV), essa condição pode ser recorrente e, em grande parte dos casos, assintomática, o que contribui para a transmissão sem que as pessoas saibam que estão infectadas.
Se você busca entender melhor o que é o herpes genital, como ele se manifesta, suas complicações e as formas mais eficazes de tratar e prevenir, este artigo foi feito para você!
O Que é o Herpes Genital?
O herpes genital é causado pelo HSV, que pode ser do tipo 1 (HSV-1) ou tipo 2 (HSV-2).
Tradicionalmente, o HSV-2 tem sido o principal responsável pelas lesões genitais recorrentes.
No entanto, o HSV-1, que antes era mais associado a herpes oral, tem se tornado cada vez mais comum em infecções genitais devido à prática de sexo oral.
Após a infecção inicial, o vírus herpes permanece latente nos nervos, podendo reativar-se periodicamente, causando surtos. Esses surtos, que podem variar em frequência e gravidade, são acompanhados pela eliminação viral, o que torna o herpes genital um dos maiores desafios no controle das ISTs.
O Que é um Herpes-vírus?
Os herpes-vírus fazem parte de uma família grande e bastante conhecida, chamada Herpesviridae, que inclui vários vírus que causam doenças em humanos.
Além do vírus herpes simplex (HSV), que está por trás do herpes labial e genital, essa família também abriga o vírus da catapora (varicela-zoster), o citomegalovírus (CMV) e o vírus de Epstein-Barr (EBV), que causa a mononucleose.
O que torna os herpes-vírus tão peculiares é sua capacidade de “se esconder” no corpo após a infecção inicial. Isso acontece porque, uma vez que entram no organismo, eles permanecem latentes (adormecidos) em células específicas, como os neurônios, sem causar sintomas por um tempo.
Mas, quando o sistema imunológico está fragilizado – por estresse, febre, cansaço ou até exposição ao sol –, eles podem se reativar e causar novos surtos.
Esses vírus também possuem uma estrutura especial: carregam seu material genético em forma de DNA e são revestidos por um envelope, o que os torna mais vulneráveis fora do corpo, mas altamente adaptados para sobreviver dentro de nós.
É por isso que infecções causadas por herpes-vírus costumam ser crônicas, como o herpes genital, com surtos que podem surgir de tempos em tempos.
Agora que você sabe o que é um herpes-vírus, fica mais fácil entender o porquê ele é tão persistente e como ele age no corpo.
Apresentações clínicas do herpes genital
Sintomas do Herpes Genital
Os sintomas podem variar muito de pessoa para pessoa.
Veja os mais comuns:
- Bolhas ou feridas dolorosas na região genital, nádegas ou coxas;
- Sensação de formigamento ou coceira antes do aparecimento das lesões;
- Febre, mal-estar e linfonodos inguinais aumentados, especialmente no primeiro surto.
Embora esses sinais sejam clássicos, cerca de 80% das pessoas infectadas não apresentam sintomas evidentes. Isso pode levar à transmissão silenciosa e reforça a necessidade de exames regulares para quem tem vida sexual ativa.
Como Diagnosticar o Herpes Genital?
Apesar da maior parte do diagnóstico de Herpes Genital ser clínico, a partir da história, características das lesões e exames físico, pode-se fazer o diagnóstico etiológico (diferenciar qual vírus causa) com PCR ou biópsia da lesão, especialmente em imunossuprimidos, onde outros vírus podem causar lesões semelhantes ao herpes.
Como Tratar o Herpes Genital?
O tratamento visa aliviar os sintomas e reduzir as recidivas. Os antivirais mais usados são:
Aciclovir: Primeira linha de tratamento para episódios agudos e supressão. Confira as doses abaixo:
- Episódio inicial: 400 mg, via oral, 3 vezes ao dia por 7 a 10 dias.
- Recidivas: 400 mg, via oral, 3 vezes ao dia por 5 dias, ou 800 mg, via oral, 2 vezes ao dia por 5 dias.
Valaciclovir e Fanciclovir: Oferecem maior comodidade posológica, porém são bem mais caros que o Aciclovir. Eles não estão disponíveis pelo SUS. Confira as doses abaixo:
Valaciclovir:
- Episódio inicial: 1 g, via oral, 2 vezes ao dia por 7 a 10 dias.
- Recidivas: 500 mg, via oral, 2 vezes ao dia por 3 dias, ou 1 g, via oral, 1 vez ao dia por 5 dias.
Fanciclovir:
- Episódio inicial: 250 mg, via oral, 3 vezes ao dia por 7 a 10 dias.
- Recidivas: 125 mg, via oral, 2 vezes ao dia por 5 dias, ou 1 g, via oral, 2 vezes ao dia por 1 dia.
Quais São as Complicações?
O herpes genital, embora muitas vezes controlável, pode levar a complicações sérias:
- Encefalite e meningite herpética: Mais comuns em pessoas imunossuprimidas.
- Maior risco de HIV: As lesões genitais facilitam a entrada do vírus.
- Retenção urinária: Pode ocorrer devido à inflamação durante surtos graves.
Essas complicações reforçam a necessidade de diagnóstico precoce e manejo eficaz.
Existe Vacina para o Herpes Genital?
Infelizmente, ainda não há vacina aprovada para prevenir o herpes genital. Pesquisas avançam com novas tecnologias, como vacinas de RNA mensageiro (mRNA), mas até o momento, os resultados são preliminares.
Enquanto isso, a prevenção é essencial:
- Use preservativos corretamente.
- Reduza o número de parceiros sexuais.
- Converse abertamente sobre ISTs com seus parceiros.
Conclusão: Como Prevenir e Tratar o Herpes Genital
O herpes genital pode ser desafiador, mas não precisa ser um tabu. O diagnóstico precoce, aliado ao uso correto de antivirais e medidas preventivas, pode melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente e reduzir a transmissão.
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Fontes
- Plunkett M, Neville CT, Chang JG. Genital Herpes: Rapid Evidence Review. American Family Physician. 2024;110(5):487-492.
- Van Wagoner N, Qushair F, Johnston C. Genital Herpes Infection: Progress and Problems. Infectious Disease Clinics of North America. 2023;37(2):351-367.
- Groves MJ. Genital Herpes: A Review. American Family Physician. 2016;93(11):928-34.
- Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recommendations and Reports. 2021;70(4):1-187.
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