Celulite ou fasceíte necrotizante

Celulite e Fasceíte Necrotizante: Como Diferenciar e Tratar?

As infecções de pele e partes moles são comuns na prática médica, mas é essencial diferenciá-las corretamente para um manejo adequado. Celulite Infecciosa e Fasceíte Necrotizante compartilham algumas características, mas suas abordagens terapêuticas são completamente distintas.

 

Neste artigo, vamos entender a diferença entre essas infecções, seus agentes etiológicos, diagnóstico e as melhores opções terapêuticas baseadas nas evidências mais recentes.

 

O que é Celulite Infecciosa?

A celulite é uma infecção bacteriana da derme profunda e do tecido subcutâneo. Seus principais agentes causadores são Streptococcus pyogenes e Staphylococcus aureus. Ocorre, principalmente, por inoculação traumática de bactérias na pele.

 

🔹 Quadro clínico:
✔ Eritema, calor, dor e edema local;
✔ Bordas mal definidas;
✔ Pode haver febre e calafrios em casos mais graves;
✔ Mais comum em membros inferiores, mas pode afetar qualquer região do corpo.

 

🔹 Diagnóstico:
✔ Baseado na clínica;
✔ Exames laboratoriais são indicados em pacientes com sinais sistêmicos;
✔ Hemoculturas são solicitadas apenas em pacientes imunossuprimidos ou com sepse.

 

🔹 Tratamento:
✔ Casos leves a moderados: antibióticos orais como cefalexina, amoxicilina-clavulanato ou clindamicina (se alergia confirmada aos Beta-Lactâmicos);
✔ Casos graves: antibióticos intravenosos como cefazolina, oxacilina ou vancomicina (se alta suspeita de MRSA);
Duração média do tratamento: 5 a 10 dias, a depender da resposta clínica.

Fasceíte Necrotizante: Uma Emergência Médica!

A fasceíte necrotizante é uma infecção grave e muito agressiva, que afeta a fáscia superficial e pode rapidamente levar à necrose tecidual, choque séptico e morte. Infecções de pele e partes moles que não são tratadas adequadamente podem evoluir com necrose extensa e rápida progressão entre os compartimentos mais profundos dos membros.

 

🔹 Agentes causadores:
Tipo I: Polimicrobiana (envolvendo enterobactérias, Gram-positivos e anaeróbios);
Tipo II: Monomicrobiana (Streptococcus pyogenes ou Staphylococcus aureus).

 

🔹 Quadro clínico:
Dor intensa desproporcional aos achados clínicos (é o principal indicativo);
Rápida progressão da lesão com eritema, edema e sinais de necrose;
✔ Bolhas hemorrágicas, crepitação e enfisema subcutâneo podem estar presentes;
Sinais sistêmicos graves, como febre alta e hipotensão.

 

🔹 Diagnóstico:
✔ Diagnóstico clínico é essencial! Atrasos aumentam a mortalidade;
✔ Exames laboratoriais (hemograma, PCR, eletrólitos, função hepática e CPK);
✔ Hemoculturas positivas em até 25% dos casos;
✔ Imagem (TC com contraste ou RNM) pode ajudar na suspeita (presença de gás e líquido nos tecidos profundos);
Cirurgia é diagnóstica: caso suspeito = abordagem cirúrgica IMEDIATA!

 

🔹 Tratamento:
✔ Cirurgia de emergência para desbridamento agressivo do tecido necrótico;
✔ Antibióticos intravenosos de amplo espectro:
🔸 Ciprofloxacino (ou Ceftriaxona) + Clindamicina OU Piperacilina-tazobactam para cobertura de anaeróbios e enterobactérias;
🔸 Vancomicina ou daptomicina para MRSA (se alta suspeita);
🔸 Clindamicina como terapia adjuvante para reduzir toxinas estreptocócicas e estafilocócicas (em casos extremamente toxêmicos);
Suporte hemodinâmico e vigilância intensiva.

 

🔹 Duração do tratamento:
✔ Pelo menos 14 dias, podendo ser prolongado conforme a resposta clínica.

Sepse por Infecção de Pele e Partes Moles

Pacientes com sinais sistêmicos graves devem ser manejados como sepse, com ressuscitação volêmica, suporte hemodinâmico e antibióticos de largo espectro.

 

Diferenciação entre diabéticos e não diabéticos:
Diabéticos: Maior risco de infecções polimicrobianas e anaeróbias, além de fasceíte necrotizante. Cobertura para Pseudomonas aeruginosa pode ser necessária.
Não diabéticos: MRSA e estreptococos são os principais agentes a serem cobertos.

Conclusão

A celulite é uma infecção tratável de forma ambulatorial, mas a fasceíte necrotizante é uma emergência médica que exige intervenção cirúrgica imediata. O reconhecimento precoce dessas condições é essencial para garantir um tratamento eficaz e reduzir a mortalidade.

 

Se houver sinais de fasceíte necrotizante, NÃO ATRASE A CIRURGIA! O tratamento precoce salva vidas. Gostou do artigo? Compartilhe o blog da InfectoFlix para que mais profissionais possam ter acesso a essa informação!

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Fontes

1. IDSA. Infectious Diseases Society of America. Practice Guidelines for Skin and Soft Tissue Infections. Clinical Infectious Diseases, 2014.
2. Navinan MR, Yudhishdran J, Kandeepan T, Kulatunga A. Necrotizing Fasciitis–A Diagnostic Dilemma: Two Case Reports. Journal of Medical Case Reports, 2014.
3. Sinha N, Niazi M, Lvovsky D. A Fatal Case of Multidrug Resistant Acinetobacter Necrotizing Fasciitis. Case Reports in Infectious Diseases, 2014.

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