Mpox

Mpox: Uma Nova Variante de Uma Doença Emergente Chega ao Brasil

A Mpox, anteriormente chamada de varíola dos macacos, é uma infecção viral causada pelo Monkeypox virus (MPXV), pertencente ao gênero Orthopoxvirus. Embora tenha sido historicamente restrita a regiões da África, surtos recentes trouxeram a doença para diversos países, incluindo o Brasil. Em março de 2025, o primeiro caso no país do Clado Ib, uma variante mais agressiva do vírus, foi confirmado em São Paulo.
 
Neste artigo, vamos abordar o que é a Mpox, suas formas de transmissão, sintomas, o que diferencia o Clado Ib das demais variantes e as opções terapêuticas, incluindo o Tecovirimat. Não perca a leitura!
 

O que é a Mpox?

A Mpox é uma zoonose viral que pode ser transmitida de animais para humanos e também entre pessoas. O vírus é endêmico em algumas regiões da África, mas, nos últimos anos, tem se espalhado globalmente. Os surtos mais recentes destacam a transmissão de pessoa para pessoa, especialmente por contato próximo com lesões de pele, secreções respiratórias e superfícies contaminadas.
 
A doença pode se manifestar de forma leve a grave, com risco aumentado em imunossuprimidos, gestantes, crianças e idosos. Manifestações mais graves incluem: pneumonia, encefalite e hepatite.
 

O que é o Clado Ib da Mpox?

O vírus Mpox possui dois principais clados:
🔹 Clado I (antigo clado da África Central) – Variante mais grave, associada a maior mortalidade.
🔹 Clado II (antigo clado da África Ocidental) – Forma mais branda, responsável pelo surto global iniciado em 2022.
 
O Clado Ib é uma subvariante do Clado I, identificada inicialmente na República Democrática do Congo em 2023. Ele apresenta maior virulência e taxa de mortalidade em comparação com o Clado II. O primeiro caso registrado no Brasil foi confirmado em São Paulo, em uma mulher de 29 anos, após contato com um familiar vindo do Congo.
 
A chegada do Clado Ib ao Brasil acende um alerta para o risco de formas mais graves da doença, exigindo vigilância epidemiológica reforçada e medidas preventivas.
 

Sintomas da Mpox

A infecção pode variar de assintomática a grave, dependendo da imunidade do paciente e do clado viral. O período de incubação é de 5 a 21 dias.
 
🔍 Quadro Clínico da Mpox
 
Os sintomas iniciais se assemelham aos da gripe:
✔ Febre alta e calafrios
✔ Mal-estar e fadiga intensa
✔ Dor de cabeça e dores musculares
✔ Aumento dos linfonodos (linfadenopatia) de forma generalizada
 
Após alguns dias, surgem as lesões cutâneas características, que evoluem em diferentes estágios:
1️⃣ Máculas (manchas avermelhadas)
2️⃣ Pápulas (elevação na pele)
3️⃣ Vesículas e pústulas (bolhas com líquido)
4️⃣ Crostas (lesões secam e caem)
 
📌 Diferenciais importantes do Clado Ib:
Maior quantidade de lesões cutâneas.
Comprometimento respiratório pode ocorrer.
Maior risco de infecção secundária e sepse, em detrimento do prurido intenso que pode ocorrer nas fases finais das lesões cutâneas.
 
As lesões são altamente contagiosas até a completa cicatrização.

Diagnóstico da Mpox

O diagnóstico da Mpox é baseado na avaliação clínica e pode ser confirmado por exames laboratoriais, sendo essencial para diferenciar de outras doenças, como varicela, herpes simples e sífilis secundária.
 
🧪 Diagnóstico Laboratorial
 
1️⃣ Teste Molecular – PCR (Padrão-Ouro)
• O exame de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) em tempo real é o método mais confiável para a detecção do DNA viral.
A amostra é coletada diretamente das lesões cutâneas, incluindo líquido das vesículas, crostas ou material de biópsia.
Esse teste apresenta alta especificidade e sensibilidade, permitindo a identificação do Clado viral e auxiliando no rastreamento epidemiológico.
 
2️⃣ Exames Complementares
Hemograma: Pode revelar leucocitose leve ou linfocitose.
Dosagem de PCR e VHS: Indicadores inflamatórios que podem estar elevados em casos mais graves.
• Função hepática e renal: Essencial para avaliar possíveis complicações sistêmicas.
Pesquisa de infecções concomitantes: Como a Mpox pode se manifestar junto a outras infecções, especialmente em pacientes imunossuprimidos, testes para ISTs (HIV, sífilis, herpes) podem ser indicados.
 
📌 Importante: O diagnóstico definitivo deve ser feito em laboratórios de referência, e os casos suspeitos devem ser notificados às autoridades de saúde para monitoramento e contenção da transmissão.
 

Como a Mpox é transmitida?

A transmissão ocorre principalmente pelo contato próximo com pessoas infectadas ou objetos contaminados.
 
🔬 Principais formas de transmissão:
 
✔ Contato direto com lesões cutâneas ou fluidos corporais.
✔ Secreções respiratórias em gotículas grandes (transmissão por contato próximo e prolongado).
✔ Contato com roupas, roupas de cama e superfícies contaminadas.
✔ Transmissão vertical (mãe para o bebê durante a gravidez).
✔ Relações sexuais (embora a Mpox não seja uma IST, o contato íntimo favorece a transmissão).
 
Não há evidências de transmissão aérea sustentada, como ocorre com o sarampo ou a COVID-19.
 

Como prevenir a Mpox?

✅ Evite contato direto com pessoas infectadas.
✅ Higienize mãos com água e sabão ou álcool 70%.
✅ Não compartilhe objetos pessoais como roupas, toalhas e talheres.
✅ Isolamento de casos confirmados até a completa cicatrização das lesões.
✅ Profissionais de saúde devem utilizar EPI completo, incluindo máscara N95.
✅ Pessoas com risco elevado podem ser vacinadas.
 

📌 Vacinação contra a Mpox

 

A vacinação é uma das principais estratégias de prevenção contra a Mpox, especialmente para grupos de risco. No Brasil, a vacinação contra a Mpox já está disponível para populações vulneráveis, mas a proteção contra o Clado Ib, recentemente identificado no país, ainda está sendo estudada.

 

💉 Quais vacinas estão disponíveis?

 

Atualmente, duas vacinas principais são utilizadas contra a Mpox:

✔ JYNNEOS™ (Imvamune/Imvanex) – Vacina de vírus atenuado não replicante, aprovada para prevenção da Mpox e da varíola tradicional.

✔ ACAM2000 – Vacina de vírus vacínia replicante, utilizada para prevenção da varíola e com eficácia parcial contra a Mpox.

 

A vacina JYNNEOS™ é a mais indicada por apresentar menos efeitos adversos e melhor perfil de segurança, sendo recomendada para:
🔹 Pessoas com risco aumentado de exposição (profissionais de saúde, laboratoristas e grupos de risco).
🔹 Indivíduos imunossuprimidos.
🔹 Pessoas com histórico de contato com casos confirmados (uso pós-exposição).

 

📌 A vacina protege contra o Clado Ib?

Estudos indicam que a vacina JYNNEOS™ tem boa proteção contra o Clado II do vírus Mpox, predominante no surto de 2022. No entanto, a eficácia contra o Clado Ib ainda não foi totalmente estabelecida. Como essa variante é derivada do Clado I, que tem maior letalidade, há preocupação sobre uma possível redução da eficácia vacinal.

 

Pesquisas em andamento sugerem que indivíduos vacinados ainda podem desenvolver a doença, mas em formas mais leves. Por isso, a vacinação continua sendo altamente recomendada, principalmente para populações vulneráveis.

 

📌 Como e onde se vacinar no Brasil?

 

A vacina contra a Mpox está disponível em unidades de referência do SUS para grupos prioritários. Para recebê-la, é necessário:
✔ Ser elegível conforme os critérios do Ministério da Saúde.
✔ Procurar uma unidade de saúde especializada.
✔ Receber duas doses com intervalo de 28 dias.

 

A vacinação pós-exposição (até 14 dias após o contato) pode reduzir a gravidade da infecção.

 

Tratamento da Mpox

A maioria dos casos evolui de forma autolimitada, com recuperação entre 2 a 4 semanas. O tratamento é suporte sintomático, mas pacientes com risco aumentado podem necessitar antivirais específicos.
 
💊 Medidas gerais
 
✔ Controle da febre e dor com antitérmicos e analgésicos.
✔ Manutenção da hidratação oral ou venosa.
✔ Cuidados com lesões cutâneas para evitar infecções bacterianas secundárias.
 
🦠 Uso de antivirais: Tecovirimat
 
O Tecovirimat é um antiviral aprovado para o tratamento da Mpox, indicado para pacientes imunossuprimidos ou com doença grave.
 
🔹 Mecanismo de ação: Inibe a proteína p37, essencial para a replicação do vírus.
🔹 Indicação: Casos graves, gestantes, crianças pequenas e imunossuprimidos.
🔹 Posologia:
Adultos: 600 mg VO 12/12h por 14 dias
Crianças: Ajuste conforme peso corporal
 
Outros antivirais em estudo incluem Brincidofovir e Cidofovir, usados em casos específicos.
 
A eficácia do Tecovirimat para o Clado Ib é consideravelmente menor em comparação a outras cepas de Mpox!
 

O que muda com o Clado Ib da Mpox no Brasil?

A chegada dessa nova variante exige maior vigilância epidemiológica e fortalecimento das estratégias de prevenção e rastreamento de contatos. As autoridades de saúde reforçam a necessidade de testagem rápida e isolamento adequado de casos confirmados para evitar a disseminação da doença.
 
O primeiro caso registrado no Brasil está sendo acompanhado pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas, com medidas rigorosas para evitar novos casos.
 

Conclusão

A Mpox Clado Ib é uma variante mais agressiva da doença, com potencial de maior gravidade e transmissibilidade. O diagnóstico precoce e as medidas de prevenção são essenciais para conter sua disseminação.
 
O tratamento da Mpox é suporte sintomático, mas casos graves podem necessitar antivirais específicos, como o Tecovirimat. Com o avanço da vigilância e da pesquisa, espera-se uma melhor resposta ao controle da doença no Brasil.
 
Caso apresente sintomas suspeitos, busque atendimento médico e siga as orientações das autoridades sanitárias. Fique por dentro do blog da InfectoFlix para muitas notícias sobre Doenças Infecciosas!

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Fontes

1. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Mpox (monkeypox) – Technical brief, 2025.
2. BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica sobre Monitoramento da Mpox no Brasil. Brasília, 2025.
3. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Comunicado Oficial sobre o primeiro caso do Clado Ib da Mpox no Brasil. 2025.
4. Ladnyj, I. D. et al. Human monkeypox and other poxvirus infections of man. The Lancet, 1972.
5. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Treatment guidelines for Mpox, including Tecovirimat (TPOXX). 2024.

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