Carbapenêmicos e Monobactâmicos: O que são e Quando Usá-los?

Os carbapenêmicos e os monobactâmicos são classes de antibióticos beta-lactâmicos amplamente utilizados no tratamento de infecções graves, especialmente aquelas causadas por bactérias multirresistentes. Eles possuem um papel essencial na terapia empírica e direcionada, sendo frequentemente utilizados em ambientes hospitalares.

 

Neste artigo, abordamos o mecanismo de ação, espectro antimicrobiano, indicações clínicas, limitações e efeitos adversos dessas classes de antibióticos, com base em diretrizes atualizadas e evidências científicas.

 

O que são os Carbapenêmicos?

Os carbapenêmicos são antibióticos beta-lactâmicos de amplo espectro, com atividade contra cocos gram-positivos (CGP), bacilos gram-negativos (BGNs) e anaeróbios. Eles possuem alta resistência à maioria das beta-lactamases, incluindo as beta-lactamases de espectro estendido (ESBL).

 

📌 Principais carbapenêmicos e seus espectros:
✔ Meropenem – Cobertura ampla contra BGN, incluindo Pseudomonas aeruginosa e Acinetobacter spp.;
✔ Imipenem-cilastatina – Similar ao meropenem, mas com maior risco de neurotoxicidade;
✔ Ertapenem – Não cobre Pseudomonas spp., Acinetobacter spp. e Enterococcus spp., mas mantém boa cobertura contra ESBL, tornando-o uma opção mais direcionada.

 

💡 Indicação principal dos carbapenêmicos: Tratamento de infecções graves causadas por BGN produtores de ESBL. Recomenda-se o uso de carbapenêmicos principalmente em terapias guiadas por cultura e teste de sensibilidades aos antimicrobianos (TSA).

 

O que são os Monobactâmicos?

Os monobactâmicos são uma classe de antibióticos beta-lactâmicos representada pelo Aztreonam, que possui atividade exclusiva contra bacilos gram-negativos aeróbios, incluindo Pseudomonas aeruginosa.

 

📌 Características do Aztreonam:
✔ Excelente atividade contra Enterobacterales e Pseudomonas spp.;
✔ Não cobre cocos gram-positivos e nem anaeróbios;
✔ Indicado para pacientes alérgicos a outros beta-lactâmicos, pois não apresenta reatividade cruzada significativa; 

✔ Não sofre ação de Metallo-Beta-Lactamases (MBLs), portanto pode ser utilizado em associação com Ceftazidima + Avibactam para tratar infecções por BGNs produtores dessa enzima.

 

💡 Ponto-chave: O Aztreonam pode ser uma opção segura em pacientes com história de anafilaxia a penicilinas e cefalosporinas.

Indicações Clínicas dos Carbapenêmicos e Monobactâmicos

📌 Carbapenêmicos são indicados para:
✔ Infecções intra-abdominais complicadas (peritonite, abscessos abdominais);
✔ Pneumonias hospitalares graves;
✔ Infecções do trato urinário complicadas;
✔ Infecções de pele e partes moles associadas a BGN resistentes;
✔ Sepse de origem abdominal ou urinária 

 

📌 Monobactâmicos são indicados para:
✔ Infecções por gram-negativos aeróbios, incluindo Pseudomonas spp.;
✔ Pacientes com histórico de alergia severa a penicilinas e cefalosporinas;
✔ Infecções hospitalares em combinação com outros antibióticos;

✔ Terapia combinada com Ceftazidima + Avibactam para MBLs.

 

💡 Dica: O Aztreonam pode ser utilizado em combinação com Vancomicina para cobertura contra Staphylococcus aureus e Enterococos spp.

 

Efeitos Adversos e Limitações

📌 Carbapenêmicos:
Neurotoxicidade – Maior risco com Imipenem, podendo causar convulsões em pacientes com comorbidades ou em altas doses;
Risco de seleção de patógenos resistentes – Como Enterococcus spp. e Stenotrophomonas maltophilia;
Uso restrito (e racional) para evitar o desenvolvimento de bactérias produtoras de Carbapenemases, como KPC.

 

📌 Monobactâmicos:
Baixo risco de reações alérgicas cruzadas;
Hidrolisado por Cefalosporinases – Ineficaz contra bactérias produtoras dessas enzimas;
Uso restrito a BGNs aeróbios – Sem efeito contra gram-positivos ou anaeróbios.

 

💡 Ponto-chave: O uso racional dessas classes é essencial para evitar resistência e garantir eficácia no tratamento de infecções graves.

 

Conclusão

Carbapenêmicos são beta-lactâmicos de amplo espectro, eficazes contra gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios, sendo fundamentais no tratamento de infecções graves associadas a BGNs produtores de ESBL.
Monobactâmicos, representados pelo Aztreonam, são ativos exclusivamente contra gram-negativos aeróbios, incluindo Pseudomonas spp., e são alternativa segura para pacientes alérgicos a penicilinas e cefalosporinas.
✔ Ambos devem ser utilizados com cautela para evitar resistência bacteriana, sendo reservados para infecções graves e de difícil tratamento.

 

Se você trabalha na área da saúde, compreender quando e como utilizar essas classes antibióticas é essencial para otimizar o tratamento e evitar falhas terapêuticas! O uso racional nos ajuda a garantir um futuro melhor.

 

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Fontes

1. LIVERMORE, D. M. Carbapenemases in gram-negative bacteria: new challenges and solutions. Current Opinion in Infectious Diseases, v. 25, n. 5, p. 484-492, 2012.
2. BUSH, K.; BRADFORD, P. A. β-Lactams and β-Lactamase Inhibitors: An Overview. Cold Spring Harbor Perspectives in Medicine, v. 6, n. 8, p. a025247, 2016.
3. POIREL, L.; NORDMANN, P. Carbapenem resistance in Enterobacteriaceae: mechanisms and epidemiology. Clinical Microbiology and Infection, v. 22, n. 6, p. 511-520, 2016.
4. WHO – WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global priority list of antibiotic-resistant bacteria to guide research, discovery, and development of new antibiotics. 2017. Disponível em: https://www.who.int/publications. 

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