A Leptospirose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Leptospira spp., transmitida principalmente por meio da exposição à água ou solo contaminados com urina de animais infectados, especialmente roedores. Considerada um grave problema de saúde pública, a leptospirose apresenta maior incidência em períodos chuvosos e áreas com enchentes, pois facilita a disseminação da bactéria.
Neste artigo, exploramos o que é a leptospirose, como ocorre a transmissão, os sintomas, o diagnóstico e as opções de tratamento, com base nas diretrizes do Ministério da Saúde e em evidências científicas recentes.
Como ocorre a transmissão da Leptospirose?
A leptospirose pode ser adquirida por contato direto ou indireto com a bactéria.
📌 Principais formas de transmissão:
✔ Contato prolongado da pele (com ou sem lesões) com água contaminada, principalmente em enchentes;
✔ Exposição prolongada a lama e esgoto contendo urina de animais infectados (ratos, cães, bovinos, suínos e outros);
✔ Ingestão de alimentos ou água contaminados com Leptospira;
✔ Exposição ocupacional em profissões de risco, como trabalhadores de saneamento, agricultores e militares.
💡 Importante: A bactéria pode sobreviver no ambiente por semanas ou meses, especialmente em locais úmidos e com pouca incidência de luz solar.
Quais são os sintomas da Leptospirose?
A leptospirose pode variar de formas leves a graves, dependendo da resposta imunológica do paciente e do sorovar da bactéria envolvida.
🔹 Fase Inicial (Leptospirêmica)
📌 Duração: 3 a 7 dias.
📌 Sintomas mais comuns:
✔ Febre alta de início súbito;
✔ Cefaleia intensa e dor retro-orbitária;
✔ Mialgia intensa, principalmente em panturrilhas e região lombar;
✔ Náuseas, vômitos e diarreia;
✔ Hiperemia conjuntival (vermelhidão nos olhos).
🔹 Fase Grave (Imune)
📌 Duração: A partir do 7º dia.
📌 Complicações graves:
✔ Icterícia intensa (“icterícia rubínica”), coloração amarelada da pele e olhos;
✔ Insuficiência renal aguda;
✔ Síndrome Hemorrágica Pulmonar, podendo levar à insuficiência respiratória;
✔ Arritmias cardíacas e miocardite;
✔ Meningite asséptica, com rigidez de nuca e confusão mental
✔ A Síndrome de Weil é caracterizada por icterícia, insuficiência renal aguda e manifestações hemorrágicas.
💡 Alerta: Pacientes com hemoptise, queda de pressão arterial e alteração do nível de consciência devem ser hospitalizados imediatamente.
Como é feito o diagnóstico da Leptospirose?
📌 Critérios para diagnóstico clínico:
✔ História de exposição a águas de enchente ou áreas de risco nos últimos 30 dias;
✔ Presença de febre, mialgia intensa e sintomas gastrointestinais.
📌 Exames laboratoriais recomendados:
✔ Fase inicial (até o 7º dia): PCR do sangue;
✔ Fase tardia (a partir do 7º dia): Sorologia ELISA-IgM ou MAT (Microaglutinação) para detectar anticorpos.
📌 Achados laboratoriais sugestivos:
✔ Leucocitose com desvio à esquerda e plaquetopenia;
✔ Aumento de ureia e creatinina (indicação de insuficiência renal);
✔ Elevação de bilirrubinas (fração direta), transaminases e redução do potássio (hipocalemia).
💡 Importante: A coleta de exames deve ser feita de forma criteriosa, pois o ELISA-IgM pode ser falso-negativo na primeira semana de sintomas.
Como tratar a Leptospirose?
📌 O tratamento da leptospirose depende da gravidade do quadro clínico e deve ser iniciado precocemente, sem aguardar confirmação laboratorial.
🔹 Tratamento para casos leves
✔ Doxiciclina: 100 mg VO 12/12h por 5 a 7 dias (não indicada para gestantes e crianças <9 anos);
✔ Amoxicilina: 500 mg VO 8/8h por 5 a 7 dias.
🔹 Tratamento para casos graves
✔ Penicilina Cristalina: 1.500.000 UI IV 6/6h;
✔ Ampicilina: 1 g IV 6/6h;
✔ Ceftriaxona: 1-2 g IV 24/24h;
📌 Suporte clínico essencial:
✔ Monitoramento da função renal e suporte ventilatório nos casos graves;
✔ Hemodiálise para insuficiência renal severa;
✔ Reposição de eletrólitos (principalmente potássio e sódio);
✔ Tratamento em UTI para pacientes com hemorragia pulmonar.
Como prevenir a Leptospirose?
📌 Medidas de prevenção pessoal:
✔ Evitar contato com água de enchentes e áreas de esgoto;
✔ Usar botas e luvas de proteção ao trabalhar em locais de risco;
✔ Lavar bem os alimentos e beber apenas água tratada.
📌 Controle ambiental e sanitário:
✔ Eliminação de focos de proliferação de roedores;
✔ Desratização periódica em áreas de risco;
✔ Melhoria do saneamento básico.
📌 Quimioprofilaxia para grupos de risco:
✔ Doxiciclina 200 mg VO 1x/semana, recomendada para profissionais sujeitos a exposição de risco prolongado, como bombeiros e trabalhadores da limpeza urbana.
Conclusão
A Leptospirose é uma infecção grave e potencialmente fatal, exigindo diagnóstico precoce e tratamento imediato para reduzir complicações e mortalidade. A prevenção, por meio de saneamento básico e medidas de proteção individual, é essencial para reduzir a incidência da doença.
Se você apresentar febre súbita, dores musculares intensas e olhos avermelhados após exposição a enchentes ou esgoto, procure atendimento médico imediatamente. Continue acompanhando o blog da InfectoFlix para saber mais sobre as Doenças Infecciosas.
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Fontes
1. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde: Volume 3. Brasília: Ministério da Saúde, 2024.
2. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Leptospirosis Burden Epidemiology Reference Group (LERG) 2019 Report. Geneva: WHO, 2019.
3. ADLER, B. Leptospira and Leptospirosis. Current Topics in Microbiology and Immunology, Springer, 2015.
4. CERQUEIRA, G. M.; PICARDEAU, M. A century of Leptospira strain typing. Infect Genet Evol., v. 9, n. 5, p. 760-768, 2009.
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