Herpes-Zóster: O Que É, Complicações e Tratamento

O herpes-zóster, conhecido popularmente como cobreiro, é causado pela reativação do vírus varicela-zóster (VZV), o mesmo vírus responsável pela catapora. Após a infecção primária, o vírus permanece latente nos gânglios nervosos por anos. Quando o sistema imunológico enfraquece, seja pela idade, estresse ou condições médicas, o VZV pode reativar, causando sintomas dolorosos e complicações graves.
 

Entenda o Herpes-Zóster e Seus Sintomas

O herpes-zóster é caracterizado pelo aparecimento de uma erupção cutânea dolorosa, com vesículas que seguem o trajeto de um nervo sensitivo (dermátomo). A dor é muitas vezes o primeiro sintoma, acompanhada de coceira, formigamento ou queimação.
 
• Quem está em risco de desenvolver a doença?
• Indivíduos acima de 50 anos.
• Pacientes imunocomprometidos.
• Pessoas com histórico de catapora.
 

Complicações do Herpes-Zóster

1. Neuralgia Pós-Herpética (NPH)
A NPH é uma das complicações mais comuns, caracterizada por dor crônica que persiste por meses ou anos após a cura das lesões.
 
• Quem está mais vulnerável?
• Pessoas acima de 60 anos.
• Pacientes com dor intensa na fase aguda.
 
• Tratamento: 
• Duloxetina
• Indicação: Indicada para pacientes com alto risco de dor neuropática ou que já sofrem com a dor.
• Dose inicial: 30 mg pela manhã por 3 dias.
• Dose de manutenção: Aumentar para 60 mg ao dia a partir do 4º dia.
• Duração: Manter por 30 dias. Caso haja melhora significativa, reduzir gradualmente a dose antes de descontinuar a medicação.
 
• Gabapentina ou Pregabalina
Se a dor não ceder adequadamente com a duloxetina ou caso haja limitações financeiras:
 
Gabapentina (opção pelo SUS):
• Dia 1: 300 mg, 1 vez/dia.
• Dia 2: 300 mg, 2 vezes/dia.
• Dia 3 em diante: 300 mg, 3 vezes/dia.
• Duração: Reavaliar em 30 dias para ajuste da dose ou retirada gradual.
 
Pregabalina (outra alternativa):
• Início: 75 mg ao deitar-se por 2-3 dias.
• Ajuste: Aumentar para 150 mg ao deitar-se, dependendo da resposta clínica.
• Duração: Manter até 30 dias; se houver melhora, iniciar retirada gradual e reavaliar aos 60 dias.
Reavaliação do Tratamento
 
• Consulta de D30: Reavaliar a dor e, caso o paciente esteja melhor, reduzir gradativamente a duloxetina ou a gabapentina/pregabalina.
 
• Consulta de D60: Verificar se o paciente permanece sem dor. A medicação geralmente é descontinuada após esse período.
 
Nota importante: O tratamento deve ser individualizado, ajustando doses de acordo com a tolerância do paciente e a intensidade da dor. Outras opções também são viáveis para manejo da dor neuropática, como opióides e corticóides.
 
2. Herpes-Zóster Oftálmico
O herpes-zóster no ramo oftálmico do nervo trigêmeo pode causar complicações graves, incluindo:
 
Uveíte: Inflamação intraocular.
Necrose retiniana: Danos à retina, frequentemente irreversíveis.
Glaucoma secundário: Resultante de inflamação nervosa prolongada.
 
3. Zóster Disseminado
Mais comum em pacientes imunossuprimidos, o zoster disseminado pode afetar vários órgãos, como pulmões, fígado e cérebro, resultando em complicações como:
 
Pneumonite.
Hepatite.
Encefalite.
 

Tratamento do Herpes-Zóster

O tratamento precoce com antivirais é essencial para reduzir a duração dos sintomas e prevenir complicações e sequelas. Deve ser iniciado até 72 horas após o surgimento do rash ou enquanto houver vesículas.
 
Doses Recomendadas dos Antivirais
1. Aciclovir
• Dose oral: 800 mg, 5 vezes ao dia, por 7 a 10 dias.
• Dose intravenosa: 10 mg/kg a cada 8 horas, para casos graves e disseminados ou para pacientes com impossibilidade de administração via oral. Opte sempre pela administração via oral, pois é associada a menos efeitos adversos.
 
2. Valaciclovir
• Dose: 1.000 mg, 3 vezes ao dia, por 7 dias.
 
3. Fanciclovir
• Dose: 500 mg, 3 vezes ao dia, por 7 dias.
 
Controle da Dor
• Analgésicos, como paracetamol e opióides.
• Terapias tópicas, como lidocaína.
 

Prevenção: A Importância da Vacinação

A vacinação é fundamental para reduzir a incidência e a gravidade do herpes-zóster, especialmente em idosos e imunossuprimidos.
 
1. Vacina Recombinante (RZV):
• Eficácia superior a 90% na prevenção de herpes-zóster e NPH.
• Recomendado para indivíduos acima de 50 anos.
 
2. Vacina de Vírus Vivo Atenuado:
• Menos eficaz que a vacina recombinante.
• Indicada para adultos saudáveis.
 

Conclusão: Enfrentando o Herpes-Zóster

O herpes-zóster pode causar complicações graves e debilitantes, como neuralgia pós-herpética, manifestações oculares e neurológicas, especialmente se não tratado adequadamente. O início precoce de antivirais, junto com medidas de suporte, pode minimizar o impacto da doença. Além disso, a vacinação é fundamental para prevenir casos graves e proteger populações vulneráveis.
 
Converse com seu médico sobre como prevenir e tratar o herpes zoster, especialmente se você tiver mais de 50 anos ou estiver imunocomprometido.

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Fontes

1. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição, 2024. Disponível em: saude.gov.br.
2. Yawn BP, Gilden D. The Global Epidemiology of Herpes Zoster. Neurology. 2013; 81(10):928-30.
3. Kennedy PGE. The Spectrum of Neurological Manifestations of Varicella-Zoster Virus Reactivation. Viruses. 2023.
4. Tao BK, Soor D, Micieli JA. Herpes Zoster in Neuro-Ophthalmology: A Practical Approach. Eye. 2024.

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